Blog de Jorge Tavares



Enredo ou forma Imprimir E-mail
O Autor
Escrito por Jorge   
Qua, 16 de Julho de 2008 14:34

Lia uma matéria sobre o Phillip Pullman na revista New Yorker (http://www.newyorker.com/archive/2005/12/26/051226fa_fact) quando me deparei com um trecho de um discurso dele que achei bem interessante:

Última atualização em Dom, 23 de Novembro de 2008 09:09
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Profundidade em literatura Imprimir E-mail
O Autor
Escrito por Jorge   
Qua, 16 de Julho de 2008 14:33

É muito comum que se tente diferenciar livros "profundos" daqueles "superficiais". Se o primeiro grupo pretende ter méritos artísticos superiores, o segundo contenta-se em divertir o leitor. A partir dessa diferenciação, inicia-se debate sobre o que é melhor e o mais adequado. Não acredito muito nessa divisão principalmente em razão do caráter nebuloso do termo "profundo".

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Sobre a criação de raças em fantasia Imprimir E-mail
O Autor
Escrito por Jorge   
Qua, 16 de Julho de 2008 14:32

Já me perguntaram o que acho de raças não humanas em livros de Fantasia, uma vez que acabei utilizando apenas pessoas em "A Guerra das Sombras". A criação de raças não é uma opção ruim quando bem utilizada. Mas quem resolve seguir por esse caminho deve evitar simplesmente copiar e colar raças tolkeanas. Isso confere ao livro um aspecto de clichê que é difícil superar mesmo com uma história muito bem escrita. Eu só utilizaria elfos ou anões, por exemplo, se conseguisse dar a eles características bem diferentes de Tolkien ou de Dungeons and Dragons.

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Influências na criação do mundo Imprimir E-mail
O Autor
Escrito por Jorge   
Qua, 16 de Julho de 2008 14:31

Já me perguntaram se fiz pesquisa específica para elaborar as civilizações e a história do mundo de "A Guerra das Sombras". A resposta não é simples, pois nem sempre é fácil identificar influências. Se a pergunta é se li livros de história ou geografia especificamente para escrever este romance, diria que isto aconteceu apenas algumas vezes. Lembro-me, por exemplo, de que para a elaboração de uma certa batalha li o livro Arte da Guerra de Sun Tzu. Mas estas leituras foram incidentais primeiro porque meu foco está nos personagens e não no seu entorno e, segundo, porque não pretendia reconstruir uma época específica, como disse no início, e, por isso, a pesquisa histórica tornou-se uma necessidade apenas mediata.

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Península Oreânica versus Ilha Zainíquia Imprimir E-mail
O Autor
Escrito por Jorge   
Qua, 16 de Julho de 2008 14:27

Num outro texto, mencionei que uma diferença crucial entre o primeiro e o segundo livros são os narradores.Outra discrepância fundamental é a localização. Se o primeiro volume passa-se numa ilha de clima temperado, o segundo livro tem seu enredo numa península subtropical. Se a ilha do primeiro volume é um Império unificado, a península do segundo é uma terra dividida entre diversos reinos.

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Nomes dos Personagens Imprimir E-mail
O Autor
Escrito por Jorge   
Qua, 16 de Julho de 2008 14:25

A escolha do nome dos personagens é um momento importante para qualquer obra literária. Em regra, o escritor escolhe o nome baseado nas características e também naquilo que se espera do personagem, do papel que deve desempenhar. Essa relação não é sempre óbvia nem obrigatória. É possível, em tese, escolher qualquer nome (mais ou menos ao acaso), mas a escolha de um rótulo que se encaixe na embalagem parece preferível.

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Dinaer versus Ariela Imprimir E-mail
O Autor
Escrito por Jorge   
Qua, 16 de Julho de 2008 14:23

Gostaria de falar sobre o segundo livro da série "A Guerra das Sombras". Minha idéia é tentar fazer uma breve comparação entre os dois primeiros volumes.

A diferença mais óbvia entre os dois livros é a de narradores. Dinaer, o inconstante deus alguiano, é substituído pela jovem princesa de Delon, Ariela. Em conhecimento e poder, um abismo separa Dinaer, que vive há milênios, da pobre Ariela de vinte e dois anos de idade. Naturalmente, a percepção da divindade nenhum paralelo encontra na jovem. Ele podia perscrutar lugares, tempos, mentes, o que dava a impressão de uma quase onisciência. Ariela, ao contrário, está presa não só as suas faculdades humanas mas, também, a uma visão de mundo bastante específica. Isso, aliás, mais do que o poder ou a idade, é o que distingue os dois.

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Moldando o futuro e o passado Imprimir E-mail
O Autor
Escrito por Jorge   
Qua, 16 de Julho de 2008 14:20

Escrever ficção para mim sempre foi como formar um mosaico, ou montar um quebra-cabeça. Com isso quero dizer que as peças (eventos e personagens) devem se encaixar, que uma peça tem importância na formação das demais - molda, em certa medida, as demais. Logo, mesmo que acredite conhecer o futuro e o passado da minha história, e tenha uma idéia de como tudo começa e termina, nem sempre acerto em minhas previsões. Não é raro que me surpreenda quando o futuro que vislubrava não se materializa, ou quando as memórias que tinha de eventos pretéritos mostram-se ilusórias. Tudo em razão da lógica do mosaico, da necessidade de encaixar as novas peças às antigas.

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O Mundo de "A Guerra das Sombras" Imprimir E-mail
O Autor
Escrito por Jorge   
Qua, 16 de Julho de 2008 14:18

Ao escrever "A Guerra das Sombras" busquei evitar sobrecarregar o leitor com informações sobre o mundo. O que eu queria era contar uma história; não apresentar um cenário de RPG. Nada contra RPG! Apenas acho que escrever literatura é algo muito diferente de desenvolver um cenário ou uma campanha. O que no RPG pode ter um papel principal, na literatura torna-se um detalhe. Porque o que mais importa na literatura são os personagens, o enredo e, obviamente, a habilidade do autor de traduzir esses elementos sob a forma de um texto bem escrito. Mapas e coisas de gênero são pouco importantes. Isso não significa que eu não tenha desenvolvido tais elementos o melhor que pude, mas apenas que eu os releguei a um segundo plano. Eles estão lá, invisíveis muitas vezes, ajudando a sustentar o enredo, conferindo verossimilhança a certos momentos, desempenhando silenciosamente sua missão nos bastidores.

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Bem e mal em "A Guerra das Sombras" Imprimir E-mail
O Autor
Escrito por Jorge   
Qua, 16 de Julho de 2008 14:14
"O Bem é apenas um ponto de vista"
Palpatine (Star Wars)


Tenho recebido e-mails de leitores confusos sobre as idéias de bem e mal em "A Guerra das Sombras". Principalmente aqueles que já leram o segundo livro têm me perguntado quem são as forças do "bem" no enredo e quem representa "o mal". A confusão é previsível já que o narrador do primeiro livro (Dinaer) tem um ponto de vista diametralmente oposto ao de Ariela, narradora do segundo. O que é percebido como uma dádiva por ele, ela vê como uma maldição. Assim deuses tornam-se demônios e vice-e-versa. Qual dos dois está certo?

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