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| Para que servem os livros de Fantasia? |
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| O Autor |
| Escrito por Jorge |
| Qui, 07 de Agosto de 2008 17:36 |
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A crítica de Cervantes é até mais atual hoje do que quatrocentos anos atrás quando foi formulada. A progressiva desmistificação do mundo contribuiu para afastar ainda mais os livros de Fantasy da realidade. Por mais que se possa traçar paralelos entre, por exemplo, a Terra Média de Tolkien e a Europa da Segunda Guerra Mundial, as diferenças são sempre maiores que as semelhanças. Então para que servem esses livros? Não seria mais pertinente escrever sobre nossa própria época e, assim, abordar mais diretamente os problemas que enfrentamos? É claro que não há nada de errado em escrever sobre o nosso cotidiano. Restringir, porém, os limites da literatura à vida comum seria empobrecedor. O mérito da Fantasia (e, em certa medida, da Ficção Científica) está em desafiar limites, em sugerir novos pontos de vista e possibilidades. Destruir as amarras do mundo - essa é a sua função. Ao conceber universos menos concretos, em que sonho e realidade se misturam, a Fantasia pode produzir uma beleza impossível de encontrar nas coisas comuns. O próprio Quixote é um exemplo disso. Segundo o crítico literário Harold Bloom, Dom Quixote "não é nem tolo nem louco, e sua visão é dupla: ele vê o que vemos mas, também, algo mais, uma possibilidade de glória da qual deseja se apropriar, ou, pelo menos, partilhar". É isso que, segundo Bloom, torna o personagem único e a obra de Cervantes imortal. E é isso que redime os livros do gênero e justifica as estranhas e maravilhosas jornadas que as obras de Fantasy nos convidam a empreender.
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| Última atualização em Dom, 23 de Novembro de 2008 09:09 |



